Consciência de si
- Ana Raquel

- Apr 6, 2023
- 3 min read
Um homem sábio disse uma vez: “Quanto mais conheço o homem, mais gosto do meu cão” (Mark Twain). Algo assim.
Li esta citação há mais de uma década. Ressoou profundamente em mim e hoje descubro que ressoa ainda mais. Eu pude conhecer o homem por uma década mais. Com o homem, quero dizer humanos. Fico impressionada com a pouca consciência que algumas pessoas têm de si mesmas. E mesmo que elas ressoem com a citação acima, ainda farão parte do problema, a vergonha de ser humano. Na verdade, sinto uma sensação de desesperança quando estou diante dessas pessoas.
Eu reconheço isso em mim: sei que a indústria de laticínios é a mais cruel de todas. Mais do que a indústria da carne. E, no entanto, de vez em quando como queijo de ovelha ou um iogurte. Eu compro biológico, porque sei que pode haver um pouco mais de dignidade nisso. Ainda assim... estou a apoiar o que sou tão contra. Dou um tapadinha nas minhas costas porque estou a fazer mais do que a maioria. Porque eu considero muito mais do que essas duas indústrias. E eu vivo em consciência. Isso torna~me menos monstro do que tantos outros. Mas ainda assim, um monstro.
E se todos nós fizéssemos exactamente isso? Se pudéssemos viver em consciência. Se pudéssemos reconhecer onde “pecamos” e parar de fingir que somos o que não somos? E então, sermos mais poupados no infligir dor aos nossos amados companheiros terráqueos.
Eu exigi que as pessoas próximas a mim fossem mais conscientes e mais gentis. Tentei alcançar pessoas que não me conheciam, para estarem cientes, para fazerem escolhas informadas mais amorosas. Acontece que não posso mudar as pessoas. Não posso mudar o que elas não estão dispostas a mudar. O que elas não estão dispostas a ver sobre si mesmas.
Este é apenas um aspecto de ser humano. Um dos incontáveis.
Onde podemos ser mais atenciosos?
Posso dizer sinceramente que quanto mais conheço os humanos, mais adoro a ideia de ser um gato.
~~ Ana~~

Self awareness
A wise man once said “The more I know man, the more I like my dog” (Mark Twain). Something like that.
I read this quote over a decade ago. It resonated deeply with me and today I find it resonating more so. I did get to know man over a decade longer. With man I mean humans. It blows my mind how little awareness some people have of themselves. And even though they may resonate with the quote above, they are still part of the problem, the shame of being human. In fact, I feel a sense of hopelessness when I am before these persons.
I recognize this in myself: I know the dairy industry is the cruellest of all. More so than the meat industry. And yet I once in a while eat sheep cheese, or a yogurt. I buy organic, because I know there might be a little more dignity in that. Still…I am supporting what I am so against. I pat myself in the back because I am doing more than most. Because I consider so much more than these two industries. And I live in awareness. That makes me less monster than so many others. But still a monster.
What if all of us would do just that? If we could live in awareness. If we could recognize where we “sin” and stop pretending we are what we are not? And then, be more frugal with inflicting pain on our fellow beloved earthlings.
I have demanded for people close to me, to be more conscious and to be more kind. I have tried to reach people who knew me not, to be aware, to make more loving informed choices. It turned out, I can not change people. I can not change what they are not willing to change. What they are not willing to see about themselves.
This was just one aspect of being human. One of countless.
Where can we be more considerate?
I can wholeheartedly say that the more I know humans, the more I adore the thought of being a cat.
~~ Ana ~~



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