A responsabilidade do relacionar ~ conto real
- Ana Raquel

- Apr 23, 2023
- 4 min read
Dia 7
O 7 é um número especial, e por isso estou a dedicar~me totalmente a este tema. É significativo dizer tudo o que queremos dizer, mas o nosso comportamento diz mais sobre nós mesmos do que qualquer coisa que compartilhamos por meio de palavras/fala.
Tive, ao longo destes 45 anos de existência, a oportunidade de observar, solenemente, o comportamento dos outros, mas também o meu. E lembro~me de me chamar a atenção pela repetição de comportamentos que já havia condenado em mim. E como tenho visto o mesmo em outras pessoas!... e sinto muito.
Acredito que vivemos uma vida cheia de responsabilidades/obrigações e nesse sentido, conseguimos nos gerir. Mas carecemos fortemente de crescimento. Podemos dar à luz filhos e esperar que eles se comportem e administrem as suas emoções, mas que tipo de exemplo somos para eles? Na maioria das vezes, os adultos parecem imitar o comportamento das crianças, portanto, carentes de inteligência emocional. Como é que não estamos cientes das nossas responsabilidades em relação às outras pessoas? Não importa a natureza do relacionamento, somos responsáveis por como nos relacionamos. Pelo que é trocado.
Recentemente, fiquei chocada com o silêncio de alguém com quem me importava profundamente. E por mais que eu tenha chateado aquela pessoa, o que ainda é um mistério para mim, a pessoa simplesmente desligou~se e deixou~me no escuro... nem uma palavra. O silêncio é um professor sábio. É verdade. E por meio dele entendi que ela não deseja ter contacto comigo, seja por que motivo for. E, no entanto, no meu entendimento do que significava o silêncio, como ela o usou como uma ferramenta para me enviar uma mensagem, não concordo com isso. Respeito a decisão dela, mas não há comunicação verdadeira aqui. E isso é profundamente triste. Eu só não tinha essa pessoa em alta estima, pois ela parecia verdadeiramente honrada e justa, mas também comuniquei com ela de coração. E o silêncio quebrou~me um pouco porque ela havia dito mais de uma vez que me amava. Por que não pode ela falar comigo simplesmente sobre o que a fazia sentir que precisava se afastar ou se retirar de mim? Um verdadeiro parentesco exige a verdade, o compartilhamento honesto, o alcance. Para cuidar.
A acção dela parece infantil para mim. Eu não seria capaz de dar a alguém que eu dizia amar, um tratamento de silêncio. Que bem poderia advir disso? No entanto, fui forçada a seguir em frente com esse fim não resolvido de uma amizade. Contra a minha vontade e contra o meu coração.
Então, digo à minha filha de 13 anos que temos uma responsabilidade quando nos relacionamos com outras pessoas. De considerá~las. De considerar os seus sentimentos. Não é gentil deixar alguém a perguntar~se “o que na Terra aconteceu?” É importante ter uma comunicação impecável, mesmo que a verdade doa. Pelo menos, há duas pessoas a tentar descobrir as coisas juntas. Não separadas.
~~ Ana ~~

Day 7
7 is a special number so I am putting myself into this theme completely. It is meaningful to say whatever we wish to say but our behavior tells more about ourselves than anything we share through words/speech.
I have had, throughout these 45 years of existence, the opportunity to observe, solemnly, the behavior of others, but also my own. And I recall calling on myself for the repetition of behaviors I had already condemned in me. And how I have seen the same in other people….and I am sorry.
I trust we live a life filled with responsibilities/obligations and in that sense, we manage to get by. But we lack strongly in growth. We can give birth to children and expect them to behave and manage their emotions, but what sort of example are we to them? More often than not, adults seem to mimic the behavior of children thus lacking in emotional intelligence. How is that we are not aware of our responsibilities in relation to other people? No matter the nature of the relationship, we are responsible for how we relate. For what is exchanged.
Recently, I was stunned by the silence of someone I deeply cared about. And however I may have upset that person, which is still a mystery to me, the person simply shut off and left me in the dark...not a word. The silence is a wise teacher. ‘Tis so. And through it I understood she does not wish to have contact with me, for whatever reason. And yet, in my understanding of what silence meant, as she used it as a tool to send me a message, I do not consent to it. I respect her decision, but there is no true communication here. And that is profoundly sad. Not only I had that person in high esteem as she seemed truly honorable and just, I also communicated to her from the heart. And the silence broke me a little for she had said more than once that she loved me. Why could she not just talk to me about what was it that made her feel she needed to retreat or withdraw from me? A real kinship calls for truth, for honest sharing, for reaching out. For caring.
This felt childish to me. I would not be capable of giving someone I claimed to love, silence treatment. What good could come from it? Yet, I was forced to move on from this unresolved ending of a friendship. Against my will and against my heart.
So, I tell my 13 year old daughter that we have a responsibility when we relate to other people. To consider them. To consider their feelings. It is not kind to leave someone wondering what on Earth happened? It is important to have a pristine communication even if the truth hurts. At least, there are two people trying to figure things out together. Not apart.
~~ Ana ~~



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